Domingo, Abril 22, 2007

Aquele da tirania incoseqüente...

[ouvindo Garbage - Dumb]
"You still don't know what you think of me..."


O rei Leônidas sedestaca entre tantos outros soberanos de Esparta por ter liderado o minúsculo grupo de 300 homens contra a empreitada expansionista persa, personificada pela tirania de Xerxes. O filme 300 (300, EUA, 2007) se destaca também pela mesma bravura: um baixo orçamento, elenco mediano (Rodrigo Santoro também) e recursos de locação limitados. Tudo isso contra uma indústria estagnada e saturada de historias épicas sobre heróis de carne e osso (e muito músculo).
Diferente do exercito arrogante e inconseqüente (porém estratégico) de Leônidas, o filme de Zack Snyder (veja o trailler aqui) prevalece sobre a tirania hollywoodiana porque cresceu em consistência. A historia dramatizada pela visão sanguinolenta de Frank Miller garantiu a 300 a densidade (pelo menos gráfica) que falta a qualquer peleja da antiguidade.

Afora a proposta de progresso visual e técnico que oferece, 300 em nada difere dos outros roteiros: o rei destemido, a rainha forte, o político corrupto, a morte antevista através de campos lúdicos de conforto tentados, e por ai vai. Adicione ai nesse caldeirão: o antagonista gay, o proscrito traído e mais sangue que o comum e você terá 300. Cru, visceral, tarantinista, clichê, inovador e clássico.

Terça-feira, Abril 17, 2007

Aquele da cena repetida exaustivamente

[ouvindo Lauryn Hill - Everything is Everything]
"Easily led astray..."


E o cara sempre é o deslocado. Daqueles que é ignorado sempre quando em grupo. Daqueles que se esforça tanto para conseguir afirmar que, num dia (quem sabe), ele será bom o suficiente para os outros. A sensação de desajuste já foi catalogada musicalmente desde Hanson até Radiohead.
A prática do bullying já é tão intrínseca à cultura americana que já sai dos filmes adolescentes e é game para a diversão de rapazinhos até aqui antes de ir para a escola pública. E fazer parte da elite popular da escola pode te deixar muito cruel com quem não se encaixa. E quem é que não quer ser popular? É engraçado como as pessoas se esquecem de você quando você se cansa dos jogos delas.
Mais de 30 pessoas foram assassinadas ontem no Instituto Tecnológico da Virgínia nos Estados Unidos. O choque existe, o horror também, mas é inevitável suavizar a reação quando já é assumido como um crime tipicamente americano, tal qual balas perdidas aqui no Brasil. E nem material pra cinema isso dá mais. E nunca deu.

Sábado, Abril 14, 2007

Aquele da melancolia nipô-eletrônica

[ouvindo Christina Aguilera - Welcome]
The wonderment that lies...


O minimalismo da musica eletrônica metaforiza a fragmentação dos sentimentos que vivemos na modernidade. A frieza dos beats do electro house do Daft Punk veste a roupagem melancólica do anime para dar vida ao Discovery (segundo álbum do duo francês). Da visionária produção de Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter, nasceu Interstella 5555: The 5tory of The 5ecret 5tar 5ystem, uma odisséia critica da moderna industria cultural.
A historia começa numa galáxia distante onde quatro estrelas da música extraterrestre tocam a música "One More Time" (primeiro single de Discovery - veja o vídeo aqui) para uma animada platéia. Um time de humanóides logo aparece e seqüestra os quatros músicos para uma lucrativa viagem a Terra e sua efemeridade musical. E por ai todo o disco é cantado (e contado) em colaboração com as habilidosas mãos de Leiji Matsumoto, junto com seu time da Toei Animation. Da apatia de Stella, baixista da banda alien e sua tentativa de escapar de qualquer dor até as expectativas incuráveis de Shep na busca do amor que ele só experimental virtualmente.
E o disco não se chamava Discovery a toa. Literalmente não tem nada de 'descoberta', o que rola é ‘dance (disco) em excesso (very)'. Desde o groove inegável de Aerodynamic, a sonhadora Digital Love [veja aqui] (fria, porém sinceramente romântica), passando pelo sample funky em Harder Better Faster Stronger até a elucidadora Veridis Quo, o som do Daft Punk é desinibidamente divertido.

Quarta-feira, Abril 04, 2007

Aquele do susto ante ao poder

[ouvindo Daft Punk - Television]
Television rules the nation...


Vem aí mais um novo mito emergente campeão de audiência! E não é hipocrisia assumir que Diego Alemão é mais uma nova cara da TV. Fabricado pela mídia, ganhou um milhão e já é sucesso num passe de mágica.
Imagine o que você sentiu quando viu o esperado beijo de Siri e Alemão ao vivo, em cores, sem cortes e embalado pela trilha carregada de sentido de Amor Perfeito do Babado Novo. Agora multiplique, modestamente, por 10. Adicione aí uma falta desconcertante de opções de aquisição cultural além da Vênus Platinada e pronto: você está sentindo (ou imaginando) o que um favelado sentiu, ou o que sua mãe que só fez até a 5ª série sentiu ou até o que um coração bastante solitário e desprovido de esperança sentiu.
E a tevê sempre foi a fabrica de sonhos. Mesmo sendo 'empurrado' para o Big Brother Brasil 7, Diego Alemão construiu seu objetivo pela alavanca que o programa poderia proporcionar. E impulsionar. E agora alcançar.
Se os sonhos vendem, as mensagens são mais bem decodificadas quanto mais os mitos encarnarem o espírito dos desejos da mente humana. E hoje, Diego Alemão e sua construção proporcionada pela edição eficaz e desconcertante configuram o que o brasileiro enxerga e almeja como mito. E a televisão é a indústria dessa produção dos mitos, da sua criação e da sua perpetuação, espelhando e moldando os comportamentos, as atitudes e os estilos de vida.
Afinal, se os Deuses tinham o panteão, aos brasileiros nós damos a Globo.

Terça-feira, Abril 03, 2007

Aquele da versão inusitada

Alanis Morissette aparece. Excepecionalmente hilária e mais Fergalicious que a própria Fergie. O vídeo é My Humps. A reação é hilária.

Segunda-feira, Abril 02, 2007

Aquele da simbologia filmíca...

[ouvindo Madonna - Isaac]
"How they're sitting in front of the light..."

Boas intenções em filmes de denuncia nunca tem respaldo de alguma justificativa. Abrindo mão dessa premissa, o filme Diamante de Sangue (Blood Diamond, 2006, EUA) se permite abrir mão de recursos que possam beirar a pieguice para relatar como disputas territoriais e dinheiro exercem desproporcionais efeitos em nações desestruturadas como a Serra Leoa.
Leonardo DiCaprio assume o calejado mercenário Danny Archer em caminhos tortuosos de negociação de diamantes tanto com o governo leonense, as milícias revolucionarias quanto os cartéis de jóias do primeiro mundo. Suas conexões e desencontros de valores durante o filme encontram equivalentes desvios na jornalista norte-americana Maddy Bouen (interpretada por Jennifer Conelly), que passeia livremente entre o engajamento de qualquer causa e a ambição jornalística pelo furo de reportagem.
E mesmo sob a propensão de ser visto como um filme-denúncia, Diamante de Sangue funciona muito melhor como um thriller de ação que faz uso de uma causa série, porém improvável de solução. Até porque se houvesse tal possibilidade, faltaria ao filme justificativa para colaborar com isso.

Domingo, Abril 01, 2007

Aquele da onipresencia pop...

[ouvindo Abba - Dancing Queen]
"young and sweet, only seventeen..."

Mesmo que você questione a credibilidade musical de Gwen Stefani, uma coisa deve ser levada a níveis de senso comum: sua presença de palco. O DVD da turnê que divulgou seu primeiro álbum solo, Love, Angel, Music, Baby, compila boas doses de espetáculo pop com essência de rock star. A Harajuku Lovers Tour foi concebida e vendida com a desculpa que a própria Stefani não a queria fazer. Para uma artista com tal status, a displicência soa falsa. A excelente produção, a energética banda e o timing das coreografias (encabeçado pelas quatro Harajuku Girls) servem de apoio para a perfomance de Gwen, que dança pouco (afinal ela provem de uma rock band), mas ocupa cada espaço do palco até nas baladas do show. E é por isso tudo que mesmo nos primários shows da banda de rock que Stefani lidera (e que deve voltar logo!), a sensação de assistir a um espetáculo de onipresença pop já era latente.
Tracklisting (baixe o áudio aqui)
01: Harajuku Girls
02: What You Waiting For? (veja o vídeo aqui)
03: The Real Thing
04: Crash
05: Luxurious
06: Rich Girl
07: Danger Zone
08: Long Way To Go
09: Wind It Up
10: Orange County Girl
11: Cool
12: Serious
13: Bubble Pop Electric
14: Hollaback Girl